O consumo de energéticos

Categoria Estilo de vida na cidade de Québec Data 09/10/2014

Escrito porMasaru Hoshi

Sabe uma coisa que me deixou impressionado ao chegar no Québec? O consumo de energéticos pelas pessoas. Não que eu nunca tivesse visto isso no Brasil, mas aqui a coisa é muito descarada.

Só pra deixar bem claro, antes de mais nada não vou entrar no mérito de discutir os efeitos pra saúde de ninguém ao consumir esses produtos. Cada um que faça seu próprio julgamento pessoal e principalmente consulte seu médico antes de achar que isso é saida pra coisas. Duvida? Leia as embalagens dessas coisas só por curiosidade.

Bom, tudo bem que estou falando de lembranças de vários anos atrás, mas quando eu lembro das pessoas tomando bebidas energéticas geralmente era na balada, puro ou misturado com alguma outra bebida, ou quando a gente tinha que ficar acordado varando noite trabalhando ou fazendo algum trabalho pra universidade e o bule de café já não fazia efeito algum. Mesmo assim, não eram opções muito baratas. Geralmente eram 4 ou 5 vezes o preço de uma lata de refrigerante normal e em menor quantidade. Eu estou falando da marca que te dá asas.

Mas aqui? Rapaz, eu já me espantei ao ver as pessoas consumindo esse troço pela manhã, dentro do ônibus ou no trabalho mesmo, mas se você pensar que algumas pessoas tomam baldes de café pela manhã… Mas e o tamanho dessas embalagens? Não estou falando de latas de 355ml, mas de 473ml, 700ml e até 1.2 litros! E tá pensando que só existe uma marca? Pft! Tem tantas marcas, sabores, tamanhos e opções que em alguns mercados têm mais dessas coisas do que garrafas d’água.

A « brincadeira » fica séria quando a gente nota que isso é consumido em grande volume por estudantes de high schools (estudos secundários), onde as crianças ingressam aos 12 anos de idade. Aproximadamente 2/3 dos estudantes desse nível escolar afirmam que já consumiram esse tipo de produto e que 20% deles o fazem pelo menos uma vez por mês. Um estudo publicado por um pesquisador da Universidade de Waterloo descreve que à medida que os efeitos do consumo são atenuados, as pessoas tendem a procurar por produtos ou dosagens mais fortes, eventualmente pulando pro consumo de álcool e outras drogas.

Não é à toa que um mercado cujo resultado já ultrapassa os $20 bilhões não pára de crescer.

(Foto da capa: « Energy drink can art » por MrkJohn de Nottingham, England – Monster Troupe.  Creative Commons Attribution 2.0 via Wikimedia Commons)