Colocando os filhos nas escola

Categoria Estilo de vida na cidade de Québec Data 04/06/2014

Escrito porMasaru Hoshi

Quando decidimos imigrar para o Canadá uma grande dúvida que tínhamos era quanto à educação infantil. Já sabíamos das diferenças em relação aos anos escolares do Brasil e do Canadá, das comissões escolares, o ensino integral e tudo o mais. Mas claro que a experiência nunca é exatamente como a prática.

Dando uma pincelada rápida no assunto pra quem não começou a pesquisar sobre o assunto aqui no Québec:

  • a educação infantil é pública e totalmente gratuita;
  • os pais têm a obrigação de colocar os filhos na escola;
  • os anos letivos começam no final de agosto/começo de setembro;
  • as crianças começam na escola primária aos 5 anos;
  • as escolas são integrais, com aulas das 8 da manhã até as 15h10 da tarde;
  • as crianças levam comida de casa, o que inclui dois lanches, o almoço, sobremesa e bebida. Algumas escolas também oferecem refeição para as crianças, mas isso é pago a parte;
  • as escolas são em francês. Escolas em inglês são somente para filhos de pais onde ao menos um dos dois tenha tido ensino anglófono.

Na época em que chegamos aqui, nosso filho tinha recém completado 5 anos. Tinha uma escola cerca de 15 minutos a pé de onde morávamos, próxima o suficiente para que tivéssemos direito ao ônibus escolar. Como eu começava no trabalho às 9 da manhã, acabamos optando por levá-lo e pegá-lo na escola a pé mesmo, uma decisão que eu iria me arrepender duramente quando chegasse o meio do inverno e eu tivesse que andar contra aquele vento que congelava meu nariz. Mas isso é outra história.

Bom, depois de conversarmos com vários pais e mães brasileiros que vieram para o Québec com filhos pequenos, acabamos decidindo por deixar que ele aprendesse francês quando chegasse aqui, direto na escola mesmo. Não foi muito fácil nem pra ele nem pra gente. Ele começou no maternal, uma série conhecida por ser o começo da alfabetização das crianças e a adaptação inicial com o meio escolar. A escola onde ele estudou tinha acompanhamento de uma pedagoga responsável por verificar a adaptação dele. Demorou, mas 4 meses depois do começo das aulas, perto do Natal, ele começou a falar francês e desde então não parou mais. Se isso foi ruim pra ele? Eu acho que não. Junto com o português, que ele nunca perdeu e inclusive fala muito bem, ele também fala francês, inglês e atualmente está estudando japonês também. Então, se você tem dúvida que seu filho ou filha vai conseguir aprender a falar francês: desencane. Com certeza ele ou ela vai falar muito melhor e em menos tempo que você.

Pra gente não foi assim tão fácil. Talvez o ano mais fácil realmente tivesse sido o maternal. Quando ele entrou no primeiro ano era uma avalanche de deveres de casa que pareciam nunca ter fim, que incluíam ler livros diariamente! Eu lembro bem que no final do primeiro ano ele recebeu um certificado da escola dizendo que ele tinha lido mais de 150 livros. Eu acho que nunca li isso na minha vida inteira! Mas foi um ótimo hábito. Ainda hoje ele nunca passa um dia sem estar lendo algum livro.

A vida escolar também nos trouxe várias coisas que não esperávamos, como participar em reuniões das comissões escolares pra decidir orçamento, ser voluntários em eventos das escolas cuidando de outras crianças, participar de reuniões com os professores, etc., isso sem falar na obrigação de aprender francês ao menos no mesmo nível que ele pra que possamos conferir como andam seus deveres.

E tudo isso foi só o primário. Daqui a pouco vem o secundário e o ensino superior e com eles novas emoções (pra gente, claro!). E você, vindo com filhos na idade escolar? Tem dúvidas? Compartilhe com a gente!

Quer saber mais?

No PoDeixar entrevistamos o meu filho e perguntamos pra ele sobre sua própria experiência com as escolas do Québec, os professores, as marmitas e tudo o mais. Ouça aqui: http://www.podeixar.com/brincadeira-de-crianca/

Confira também um programa onde falamos sobre a educação primária no Québec, com uma entrevista exclusiva com um professor québecois que nos fala sobre a sua profissão, a vida com as crianças e outras curiosidades. Ouça aqui: http://www.podeixar.com/na-pele-de-um-professor/